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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Um Pouco De Nossas Origens


Aceitei a Cristo como meu salvador no inicio do segundo semestre de 1998, na cidade de Castanhal-Pa, região de Belém.
Isso se deu na primeira vez que adentrei em uma Assembleia de Deus. A partir de então já batizado e membro dessa denominação, comecei então a buscar suas origens: Como surgiu, onde começou e quem foi o fundador dessa igreja, para minha surpresa, certa noite fui a um culto no templo central da minha igreja e nessa ocasião era comemorado os 87 anos da minha querida Assembleia de Deus, fiquei muito feliz ao ouvir daquele evangelista historiador que a igreja da qual eu membro agora, nasceu em meu estado e mais precisamente na região onde eu morava, me emocionei ao ouvir do expoente que o primeiro sermão pregado em português  pelo Missionário Samuel Nystrom foi na cidade de santa Izabel do Pará, (cidade onde vivi na infância) . Ouvi muita coisa interessante naquela noite sobre os primórdios da AD, passei então a pesquisar mais e mais sobre como tudo começou, acabei por descobrir que na minha igreja havia um presbítero que era neto do Pastor Absalão piano, o segundo Pastor consagrado na Assembleia de Deus no Brasil.

                                Assembleia de Deus em seus primórdios

                Daniel Berg e Gunnar Vingren, fundadores da Assembleia de Deus no Brasil

No decorrer desses dezessete anos sempre fui muito envolvido com os trabalhos dessa igreja e sempre me orgulhei de ser assembleiano devido sua linda história, fui professor de escola dominical, fui responsável pelo departamento de assistência social, líder de departamento infantil, líder de adolescentes, líder de Jovens, fiz curso de teologia, lecionei no curso de teologia, pela graça de Deus e não por meus méritos fui chamado ao ministério, como cooperador, depois diácono e por ultimo fui consagrado ao santo ministério do presbitério, o Pastor que me consagrou ao presbitério chama-se Jacinto de Souza neto, Pastor presidente do campo de Juruena-Mt.
Tudo isso aconteceu enquanto eu morei por dez anos no estado do Mato Grosso.  Na direção de Deus mudei com minha família do Mato Grosso para o Paraná, onde continuei servindo a Deus na Assembleia de Deus e apesar de amar essa igreja com todo o seu sistema litúrgico, seus dogmas preceitos e regulamentos, gostaria de deixar uma coisa bem esclarecida para todos que estão lendo esse simples texto: A igreja evangélica Assembleia de Deus no Brasil espalhada no país inteiro do Oiapoque ao Chuí não é, nunca foi e nunca será a única detentora da salvação e está longe de ser.
Estive como membro dessa maravilhosa igreja enquanto me senti bem e repito não tenho o menor problema com seu sistema litúrgico e com suas crenças, visto ser eu um crente arminiano de fé pentecostal.
Há um mês deixei de ser membro dessa igreja para juntamente com um grupo de irmãos fundarmos a Assembleia de Deus Fazenda Rio Grande (Adfarg), uma igreja independente, mais que mantém a mesma identidade da nossa querida Assembleia de Deus fundada por nossos queridos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren.

              Pastor Reginaldo Euclides, Pastor da Assembleia de Deus Fazenda rio Grande (Adfarg)

Assembleia de Deus Fazenda Rio Grande (Adfarg) , Av. Brasil 2771, Nações, Faz. Rio Grande-Pr


Obreiros Da adfarg


Hoje muitas pessoas, inclusive alguns Pastores estão atormentando alguns desses irmãos usando texto bíblico totalmente fora do seu contexto, dizendo que eles serão excluídos da igreja e que por conta disso correm o sério risco de perder a salvação. Que coisa feia para alguém que se diz Pastor, deturpar um texto sagrado em detrimento da verdadeira exegese.
Pois bem, o que muitos não sabem é que a origem da nossa querida assembleia de Deus no Brasil se deu da seguinte maneira:
Estando Daniel Berg e Gunnar servindo a Deus na igreja Batista em Belém do Pará, vindos dos Estados unidos da América, sob orientação de Deus, traziam a mensagem pentecostal que varria a América naquela época por influencia de Willian Joseph Seymour do movimento da azuza street, quando tiveram a oportunidade de pregar essa mensagem aos crentes batistas de Belém, alguns abraçaram a fé pentecostal sendo curados e batizados com o espirito santo, muitos, porém não aceitaram a nova mensagem, dentre eles o Pastor da igreja batista que excluiu os dois missionários juntamente com cerca de Dezoito irmãos daquela igreja, ficando agora aqueles dois homens de Deus sem igreja e sem lugar pra morar, já que residiam no porão da igreja batista.
Um irmão chamado Henrique Albuquerque que tinha uma situação financeira estável, ofereceu lugar para os dois residirem e também para congregarem até que as coisas se ajeitassem.
E foi assim que surgiu a nossa querida Assembleia de Deus no Brasil que antes se chamava Missão da fé Apostólica. Aquele grupo foi excluído da igreja Batista em Belém do Pará para fundar hoje o que chamamos o maior avivamento pentecostal do mundo.
Se o fato de alguém mudar de igreja implica em perder a salvação, então todos nós Assembleianos no Brasil e no mundo estaríamos todos  com nossa salvação comprometida, sendo que nossa igreja teve seus primórdios com uma cisão na igreja batista Paraense.
Enquanto isso eu prefiro ficar com um antigo corinho muito cantado em nossas igrejas que diz:
Não importa igreja 
Quem tu és 
Se atrás do calvário tu estás 

Se o teu coração 
É igual ao meu 
Dai as mãos 
E meu irmão serás 

Dai as mãos, dai as mãos 
Dai as mãos 
E meu irmão será 

Amém.
Qualquer duvida sobre o que está acontecendo estou à disposição de todos, ou duvidas sobre os fatos que envolvem as origens da AD no Brasil, consulte as fontes.
Fonte:




segunda-feira, 13 de julho de 2015

“Apóstola” brasileira afirma ser cumprimento de profecia apocalíptica

Daniela Carvalho acredita ser mais forte que o Diabo



O Brasil já deu ao mundo Inri Cristo, o codinome adotado por Álvaro Thais que em 1979 afirmou ter recebido uma revelação de sua verdadeira identidade. Com discurso carismático, atraiu dezenas de seguidores que viam nele algum tipo de salvador. Usando uma interpretação própria da Bíblia, estabeleceu-se em Brasília, afirmando ser ali a Nova Jerusalém.
Em 2007, outra revelação foi recebida, desta vez era uma mulher: Daniela Carvalho, deixou de ser uma adolescente normal de 15 anos e passou a se identificar como Pastora Primaz do Reino dos Céus.
Segundo o site de sua igreja, a jovem hoje com 23 anos “representa o santuário, representa o testemunho e o espelho do santuário. É a noiva do Cordeiro sem mancha, sem mácula, pura”. Por isso, todo ano durante a festa do Primado, ela entra vestida de noiva na Igreja Reino dos Céus, denominação neo-pentecostal com sede em Belo Horizonte.
O tempo passa e ela é alçada à condição de apóstola, estabelecendo seu ministério em São Paulo. Pelas redes sociais ela posta fotos e declarações igualmente curiosas.
Daniela, ou apóstola Sol, nome que adotou para indicar sua nova condição espiritual, afirma ser a encarnação de uma figura bíblica.
Usando uma interpretação própria da Bíblia decreta: “Sou aquela que João viu na ilha de Patmos e escreveu no apocalipse 12. Sou vestida de sol e tenho a coroa de 12 estrelas na minha cabeça – coroa do apostolado – e a lua debaixo dos meus pés. Lua não tem luz. A lua representa as igrejas fracas sem revelação cheias de pessoas doentes e fracassadas pela macumba”.
Entre os muitos adjetivos, afirma ser uma “mulher sobrenatural”. Torna-se ainda mais enfática quando lembra a todos que ela é a “mulher que amaldiçoou o Diabo”, e que Satanás tem medo dela. .
Com isso tem atraído centenas de pessoas para a igreja que lidera. Os elementos são conhecidos. Venda de objetos ungidos, promessas de prosperidade, além das dezenas de testemunhos gravados com pessoas que receberam curas ou milagres. Faz ainda campanhas com nomes chamativos como “escada de Jacó”, “trezena forte do Arcanjo Miguel” e “monte Manaain”.
Suas fotos e vídeos são compartilhados por evangélicos nas redes sociais na maioria das vezes como piada e os comentários quase sempre possuem um tom de crítica. Mas o fato é que ela tem se tornado popular. Depois da mudança de nome, seu perfil no Facebook teve quase 500.000 acessos no primeiro dia.
O portal Gospel Prime tentou entrevistar Daniela, mas o pedido não foi aceito. Mesmo assim, existem muitas informações sobre ela nos veículos oficiais da denominação, como a TV Reino e o Jornal do Reino. A primeira é exclusivamente online, já o periódico possui uma versão impressa além da eletrônica.
Chama atenção as vestes usadas por ela e os demais líderes da igreja para ministrar. Coloridas e recheadas de símbolos judaicos, remetem a uma identidade sacerdotal católica.


Para muitos, pode ser apenas mais uma denominação neopentecostal ou um desvario de alguém que deseja aparecer, mas um olhar mais atento mostra que Daniela apenas deu continuidade ao que seu pai começou.
Ela é filha do pastor e ex-deputado estadual mineiro Adelino de Carvalho. Em 2001, ele enfrentou uma série de acusações e acabou se tornando inelegível após serem comprovadas diversas fraudes cometidas por ele.
Embora afirmasse ser pobre em sua declaração de renda, vivia em uma mansão que ocupa um quarteirão inteiro num bairro nobre da capital mineira. Diversos eleitores – na maioria membros de suas igrejas – o acusavam de ter prometido (e não cumprido) que distribuiria cestas básicas todo o mês depois que ganhasse a eleição. Também distribuiu vários cheques sem fundo e se justificava que só queria ajudar o povo, mas as vezes ultrapassava seus limites.
Adelino abandonou a vida política, mas há quase 40 anos ele lidera igrejas. Afirma que são mais de 700 igrejas, mas as informações em seu site oficial são bastante vagas sobre o assunto. Autor prolífico, tem mais de 50 livros. Como compositor, escreveu mais de 1.000 músicas de louvor. Como cantor já gravou mais de 30 discos. Como pregador, possui mais de 1.500 mensagens gravadas em CDs e DVDs.Afirma que suas pregações já converteram “mais de um milhão de pessoas”.
Assim como fez sua filha, ele também trocou de nome. Passou a se chamar Davi Efraim. Assevera que sua vida é “um grande mistério”. Nada modesto, diz ser “considerado uma liderança respeitada no meio evangélico e um dos pregadores de maior evidência no Brasil, exercendo um ministério de fogo e poder espiritual”.

Porém, no meio evangélico, tanto ele quanto a filha são considerados seita. Embora se utilize de elementos bíblicos e práticas comuns em igrejas neopentecostais, procura apenas tentar legitimar suas sandices. Infelizmente, como atestam as fotos e vídeos postados por eles, tem conseguido atrair um número crescente de seguidores.

Fonte: http://noticias.gospelprime.com.br/apostola-sol-daniela-carvalho/ 

segunda-feira, 30 de março de 2015

Uma reflexão sobre a igreja hoje



Diante de tantas coisas que tenho contemplado nesses dias hodiernos dentro do ambiente denominacional, coisas como: Igrejas voltadas para o público jovem, como cowboys, skatista, surfista, metaleiros e etc...
 Igreja super tradicional onde tudo é proibido, igreja voltada unicamente  para o ensino da Palavra de Deus, igreja voltada para os dons carismáticos, igreja onde se revela de tudo mais pouco se fala da Bíblia com seriedade, igreja que prega  sobre riquezas e conforto nessa vida e esquece de pregar sobre salvação, sobre santidade, sobre vida com Deus e sobre  céu, igrejinha com instalações precárias sem a mínima estrutura, mas, que se prega a palavra com sinceridade, igreja de médio porte e super mega hiper igreja com templo exorbitante com estacionamento para mil carros e contribuição via máquininha de cartão, onde congregam pessoas de todas as classes.Enfim hoje existe igrejas que agradam a todos os gostos, outras por outro lado,  outrora agradavam a muitos e hoje desagradam mais que agradam.
Hoje temos axé gospel nas igrejas, festa junina, festa rave gospel, arrocha gospel e tudo mais que não presta.
Tem se gastado milhões de reais em templos religiosos que são verdadeiras babéis na terra, que mais servem para engrandecer o nome de homens que para glorificar o nome de Deus.
pouco se tem feito pelo social, esquecem de cuidar do ser humano como um todo, esquecem da salvação integral, esquecem que o homem é composto de corpo alma e espírito, esquecem que quanto mais a igreja torna-se humana, mais divina ela torna-se. 
 Muitas igrejas hoje tem ouro e prata mais infelizmente, não podem mais. dizer: levanta-te e anda.
Diante de tudo que foi exposto e tudo mais que tem acontecido na igreja de Cristo hoje?, surge uma pergunta que ecoa fortemente em nossos ouvidos: qual o nosso papel como igreja?, será que tem desempenhado com êxito nosso chamado?
O que podemos fazer para que esse quadro possa ser revertido?
veja esse video e deixe sua sugestão,opinião, critica ou apenas deixe seu comentário
 https://www.youtube.com/watch?v=geyQrwKWhzU
By Frank Braga

Teologia Pentecostal entrevista Pastor Antonio Gilberto, Mestre das Assembleias de Deus no Brasil



Pastor Antonio Gilberto é o maior símbolo de erudição nas Assembleias de Deus no Brasil, isso é unanimidade em todo os arraiais adeiano,tive o privilegio de ve-lo e ouvi-lo por ocasião do 5º congresso Nacional  de Escola Dominical realizado em Salvador Bahia. Comprei o seu livro Manual da Escola Dominical, homem sábio, porem humilde e simples, reproduzo em meu Blog a entrevista do mestre concedida ao Blog Teologia Pentecostal.

 Por Gutierres Fernandes Siqueira
Blog Teologia Pentecostal teve o privilégio de entrevistar o pastor e teólogo Antonio Gilberto da Silva. É consensual entre os assembleianos que o pastor Gilberto é a maior referência teológica da denominação. Neste ano Antonio Gilberto completa 86 anos. Ele é mestre em teologia, bacharel em psicologia, pedagogia e letras. É também mestre em educação pela Biola University, nos Estados Unidos. É membro da diretoria da Global University (GU), um complexo universitário das Assembleias de Deus norte-americana (AG). É também consultor doutrinário e teológico da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) desde 1997. Ainda atua como membro da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). Foi membro do Conselho Mundial de Evangelismo do Congresso Mundial de Lausanne (Suíça). Ele também trabalhou na edição da Bíblia de Estudo Pentecostal (BEP), que foi publicada em dezenas de idiomas e está publicada em inglês como The Full Life Study Biblepela editora Zondervan. É autor de diversos livros como: Manual da Escola Dominical (também publicado em espanhol), Crescimento em CristoA Prática do Evangelismo PessoalA Bíblia Através dos SéculosO Fruto do Espírito (derivado de um trabalho maior em inglês), Verdades Pentecostais e editou a Teologia Sistemática Pentecostal. Todas as obras foram publicadas pela CPAD. É autor de diversas Lições Bíblicas e é também membro da Academia Evangélica de Letras (AEL). Formou o CAPED, um curso de aperfeiçoamento de professor de Escola Dominical e atuou como professor de escolas teológicas das Assembleias de Deus no Brasil, Estados Unidos e Europa.

Apesar do vasto currículo acadêmico o que mais chama atenção no pastor Gilberto é a forma simples e piedosa de falar. Um exemplo para a atual geração. Vejamos essa entrevista agora.

01) Vários professores de teologia, especialmente conservadores, manifestam preocupação com o avanço do liberalismo teológico na sua versão pós-moderna entre os pentecostais. Há, inclusive, pentecostais levantando bandeiras da Teologia da Liberação, uma teologia que parecia até morta na década de 1990. O senhor enxerga tal fenômeno como relevante, ou seja, como motivo real de preocupação? Se sim, quais são as causas desse crescimento e como podemos responder ao fenômeno?

Sim, há um crescimento. E uma das causa é: a multiplicação do conhecimento secular. Eu não estou criticando, mas vemos apenas uma multiplicação do conhecimento secular sem o conhecimento divino, espiritual. Ficam acadêmicos maravilhosos- e eu não estou criticando, pois seria um absurdo criticar a academia-, porém o conhecimento secular sem conhecimento espiritual é uma falta. O conhecimento bíblico (ou espiritual) vem através do Espírito Santo.

E hoje não existe sabedoria secular. E ainda há sabedoria bíblica pelo Espírito Santo. O conhecimento bíblico sem sabedoria bíblica gera fanatismos e exageros. E sabedoria espiritual sem conhecimento bíblico gera estagnação, pois a matéria prima da sabedoria é o conhecimento. É só pegar Romanos 11 e 1 Coríntios 12 e veremos a diferença e a complementaridade entre conhecimento e sabedoria.

Então, a razão dessa distorção na teologia contemporânea é a multiplicação do conhecimento sem sabedoria. Como ilustração vamos lembrar Daniel 12.4 onde está escrito: “e a ciência se multiplicará”. E aí Daniel para. Ele não diz: “e a sabedoria se multiplicará”. E é isso que está acontecendo, pois há um avanço do conhecimento sem o avanço da sabedoria. Eu não estou criticando, volto a dizer. E nesse texto, cabe explicar, a palavra ciência pode ser traduzida em português como “conhecimento”. O sentido aqui não é avanço tecnológico, mas conhecimento como teoria.

Hoje vivemos um tempo onde nem mesmo o Batismo no Espírito Santo está sendo cultivando. Deus quer nos encher da plenitude do Espírito, mas Ele não viola nossa liberdade. Portanto, cabe a nos voltarmos a buscar essa sabedoria do alto a fim de não causarmos distorções advindas do conhecimento isolado.

E falando sobre Teologia da Libertação deixe-me recordar uma história, uma experiência pessoal. Fui professor do Instituto Bíblico Pentecostal (IBP) por 22 anos. E naquele período eu ministrava aulas de heresiologia. Na ocasião eu escrevi um texto criticando o marxismo-leninismo. Isso ainda era a década de 1960. Anos depois, no final da década de 1980, fui convidado por uma universidade europeia a escrever o material didático daquela escola. E numa das semanas eu estava de folga e aproveitei para passear. Na ocasião eu estava em Bruxelas (Bélgica) e vi uma agência de viagens da União Soviética (URSS). Eu ali entrei e disse: “Boa tarde. Sou brasileiro e quero fazer uma pergunta: como faço para ir a Moscou e quanto tempo é de viagem?”. O funcionário solicitou minha identidade e pediu para eu aguardar um tempo. Na volta o rapaz, que era muito educado, me disse: “sua entrada em Moscou está proibida”. E eu perguntei o motivo, até um tanto surpreso e espantado. E ele me disse: no ano X o senhor escreveu um artigo contra o marxismo-leninismo. E eu perguntei: “e se eu fosse mesmo assim”. E ele me respondeu: “o senhor iria preso”. E eu novamente perguntei: “e iria ser mandado para embaixada do Brasil?”. E ele: “Não, o senhor seria mandado para a Sibéria”. Como é que um artigo meu era conhecido por uma agência da União Soviética na Bélgica? E olha, nem existia a internet naquela época como conhecemos hoje. Eu nunca me esqueci dessa experiência com o estado policial.

02) A igreja Assembleia de Deus norte-americana (AG) tem produzido acadêmicos que influenciaram e, ainda, influenciam o evangelicalismo como um todo. Ou seja, são teólogos que não falam apenas para pentecostais. Nomes como Gordon D. Fee e Craig S. Keener são tidos como exegetas de referência mesmo para aqueles que nunca pisaram numa igreja pentecostal. O senhor é também um nome muito respeitado no Brasil como teólogo profissional, mas comparado com o tamanho da Assembleia de Deus brasileira, ainda são poucos os nomes pentecostais de influência nos demais círculos protestantes. Qual o motivo? Falta apoio da própria denominação? Ou será uma visão mais preconceituosa dos evangélicos tradicionais para com os acadêmicos pentecostais no Brasil?

Eu conheço o Dr. Gordon Fee pessoalmente e isso que você fala é uma verdade. Agora, eu diria que o nosso problema no Brasil é falta de patrocínio. Eu viajo bastante e vejo isso em toda parte: a falta da disposição em apoiar os ensinadores. As igrejas não apoiam, as convenções não apoiam, os empresários cristãos não patrocinam. E quem vai pagar a conta? Estudar custa caro, muito caro. Resultado disso: temos talentos maravilhosos por aí que são desperdiçados. Eu mesmo recebo um volume enorme de escritos, pela misericórdia de Deus, na Casa Publicadora onde atuo como consultor doutrinário e teológico, e até do exterior, mas não há patrocínio da igreja pentecostal no Brasil a esses talentos.

E outra causa: o desestímulo. Muitos jovens e até velhos recebem o chamado divino para o ensino e a gente nota a falta de estímulo. Muitos nas igrejas dizem aos ensinadores que larguem tal tarefa. E dizem: - vamos buscar a Deus e deixemos isso pra lá, etc. Eu já vi casos até de pessoas chamadas ao ensino totalmente reclusas em suas igrejas. E aí vemos como a nossa igreja sofre nessa área.

03) Nos últimos meses cresceu entre os assembleianos a velha (e boa) disputa soteriológica do protestantismo. De um lado, um grupo defende o revigoramento do arminianismo. Do outro lado, um grupo menor, mas não menos relevante, tem defendido o calvinismo. Ambos, e com muita razão, têm combatido o semipelagianismo que contamina muitos dos nossos púlpitos nas Assembleias de Deus. Como o senhor se posiciona nessa polêmica?

Ótima pergunta. Essa questão é problema de equilíbrio. Sabemos que a Bíblia do princípio ao fim diz: “não vos desvieis, nem para a direita, nem para a esquerda”. A Bíblia nunca diz o contrário: “não vos desvieis, nem para a esquerda, nem para a direita”. E essa ordem não é por acaso. Por que digo isso? Eu já estudei na Europa e pesquisei bastante na Inglaterra, Escandinávia e na Alemanha e vi de perto a influência do calvinismo e, na minha visão, Calvino exagerou.  Coitado, ele não está aqui para se defender, mas Calvino exagerou, especialmente na questão da predestinação. E irmão Gilberto, a predestinação não está na Bíblia? Claro que está. Eu mesmo já escrevi um trabalho (paper) da predestinação à luz da Bíblia. A predestinação do calvinismo é um erro de interpretação, pois a predestinação bíblica é para quem já é salvo e eleição bíblica está em Cristo. Ora, o ensinamento de que uma “vez salvo para sempre” é antibíblico. A Bíblia trabalha com a ideia de apostasia. Mas, é claro, eles trabalham com tantos argumentos que nos cativa. Eu convivo muito bem com os irmãos presbiterianos, mas não posso concordar com esse desvio do equilíbrio bíblico.

O arminianismo está na Bíblia. Mas há também um desequilíbrio à direita, ou seja, um desequilíbrio para o lado certo. Há muitas coisas boas, mas existe também uma tendência ao exagero. Irmão Gilberto, qual é o exagero? Ora, o excesso de autonomia do indivíduo. E o neopentecostalismo nasce nesse contexto. O humano é tão autônomo que dá até ordens em Deus. Onde está na Bíblia essa ideia de “nova unção”, “movimento da fé”, “bênção de Toronto” etc.? Ou seja, são seres excessivamente livres ao ponto de determinar o modo de operar de Deus.

Eu já ouvi coisas que fiquei até gelado. Certa vez em um evento eu ouvi um pregador de origem pentecostal dizer: “Irmãos, precisamos desenvolver a nossa fé. A fé inata. A fé que temos desde bebês. Ponha a sua fé em ação, pois sua fé é inata. Ordene, pois inclusive você pode dar ordens para Deus. Ordenar a Deus é colocar a fé que está em você para fora”. Ora, isso é um erro grave. Um erro que me deixou gelado. A Bíblia não ensina esse conceito de fé inata. A fé sempre vem de fora, de Deus. A fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17) e pelo papel do Espírito Santo que produz fé. Isso é um arminianismo exagerado.

Evitemos os exageros. Fiquemos no centro. E para ilustrar lembro a passagem de Lucas 6. 6-11.  Jesus estava ensinando, e não pregando, e o auditório estava lá preso com as palavras de Cristo. E um homem estava presente com a mão ressequida igual a um palito. E o homem levantou-se após a ordem de Jesus. E Jesus deu uma segunda ordem: “fique em pé”, disse Jesus. Ou seja, uma coisa é se levantar diante do desânimo de viver uma vida sem poder trabalhar, pois na época de Jesus o que mais contava era o trabalho braçal, e outra é continuar em pé, que é justamente o mostrar ânimo e firmeza. E houve uma terceira ordem: para ele ficar no meio. Ora, quem sabe esse homem era um desequilibrado à direita ou à esquerda. Jesus manda o jovem voltar ao meio. E a última ordem foi para ele estender a mão. Essa história como metáfora ilustra a necessidade de ficarmos no centro. Ou seja, desviar à direita é exagerar do lado certo. E desviar à esquerda é o desvio do revoltado. O equilíbrio é o ponto para evitar o erro.

04) Quando se fala de pentecostalismo qual (is) é (são) o (s) livro (s), além da Bíblia, que o senhor considera como essencial para entender esse Movimento? E aí pergunto tanto em língua inglesa como em português.

Eu recomendo os livros do Dr. Stanley M. Horton. Outro livro que recomendo é o “Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais” (CPAD) editado pelo Rev. Thomas E. Trask. É muito bom.  Eu também sugiro o livro “Verdades Pentecostais” (CPAD), de minha autoria. Eu estou, inclusive, ampliando essa obra. Ela já era um resumo de uma obra maior sobre o assunto e, agora, continuo a ampliar o restante não publicado. E essa obra nasceu até como uma resposta às distorções do Movimento da Fé. E estou com três livros no forno que talvez sejam publicados neste ano. Uma das obras será sobre a família cristã e um outro sobre os paradoxos da Bíblia.

05) O seu livro “O Fruto do Espírito” (CPAD) foi primeiramente publicado em inglês em 1984. O livro até hoje é referência sobre o assunto. Como foi o processo de escrita dessa obra? E por que esse assunto é relevante para o cristão pentecostal?

Na verdade não é a tradução de um livro, mas apenas parte de um trabalho didático de mais de 800 páginas que escrevi para uma universidade assembleiana dos Estados Unidos. O original é um comentário de Gálatas 5.22. O que temos aqui é apenas um resumo, uma parte.

O fruto do Espírito é um assunto essencial para o cristão. Por exemplo, entre os gomos do fruto temos a bondade e a benignidade. E alguém pode perguntar: qual é a diferença? Vamos ao grego. A benignidade no grego é a disposição eterna de fazer o bem. Deus sempre está sempre disposto a fazer o bem e nunca o mal. Assim é o cristão benigno. É um impulso, uma disposição para o bem. Já a bondade é a prática do bem.

06) Como foi trabalhar com Donald Stamps na edição da Bíblia de Estudo Pentecostal (BEP)? E como era sua relação de amizade com Stanley M. Horton que faleceu recentemente?

Na metade da década de 1970 chegou ao Brasil um missionário chamado Donald Stamps. Ele foi morar em Campinas (SP). E na época eu estava morando em Campinas para trabalhar na EETAD (Escola de Educação Teológica das Assembleias de Deus). E ficamos amigos. Eu orientava Stamps no aprendizado do português e, também, o ajudei a conhecer pelo país a liderança pentecostal. Todo missionário, segundo as normas do Concílio norte-americano, precisava tomar essa atitudes. E certa vez, durante essas viagens, o irmão Stamps me falou: “Irmão Gilberto, estou percebendo que no Brasil há uma deficiência da liderança pentecostal com o conhecimento básico das nossas crenças”. E ele me disse que já tinha conseguido patrocínio com os norte-americanos para compor uma Bíblia de Estudo. E ele me pediu ajuda, especialmente com a tradução das notas, mas na ocasião não pude aceitar esse desafio.

Stamps levou a ideia do projeto ao seu chefe no setor de missões da Assembleia de Deus norte-americana. E ele disse: “Stamps, esse projeto não pode ficar restrito ao Brasil”. A ideia do projeto era justamente trabalhar uma Bíblia onde o assunto central era o trabalho do Espírito Santo com notas simples e práticas. E foi uma Bíblia feita com muita preocupação com o original grego e hebraico. Eu falava a Stamps sobre as regras da Sociedade Bíblica para que as notas não soassem infantis ao destoar com os originais. Quem ajudou Stamps com a tradução foi o Rev. Gordon Chown.

Quando Stamps acabou de escrever as notas do Novo Testamento ele começou as notas do Antigo Testamento. O projeto durou anos. No final, após sete dias da última nota escrita para o livro de Malaquias, Stamps morreu vítima de um câncer. Na ocasião eu estava nos Estados Unidos. Tive, após essa perda inestimável, a missão de continuar o projeto da Bíblia de Estudo. Pedi autorização do pastor José Wellington e ele me deu apoio para continuar o projeto. No total, o projeto durou 10 anos. E hoje a BEP está em 28 idiomas e é uma bíblia de estudo mundial que nasceu no Brasil.

O nome “pentecostal” não é por causa da Igreja Assembleia de Deus, mas sim porque o tema das notas gira em torno da pessoa e obra do Espírito Santo. No inglês é full life, mas não ficaria bem em português uma tradução literal para “vida plena”. Foi fruto de muitas horas de estudo e pela visão do irmão Stamps.

E sobre Stanley M. Horton eu felizmente o conhecia bem. Era um irmão querido. Alguns meses antes da morte dele consegui visita-lo em sua casa em Missouri (EUA). A Assembleia de Deus norte-americana mantém uma vila para pastores aposentadores e fui até lá. Ele ficou muito alegre com minha visita.


07) Muitos pentecostais, inclusive pastores, continuam a propagar movimentos estranhos como “unção do riso”, “cair no Espírito”, “nova unção”, “atos proféticos” etc. No sentido de aconselhamento, se o leitor dessa entrevista congrega numa igreja assim qual deve ser a atitude dele?

Em primeiro lugar, eu só aconselharia se eu conhecesse a pessoa ou se eu fosse solicitado a fazê-lo. É necessário cuidado para não ferir sensibilidades. Mas esses movimentos são frutos de falta de erudição e é difícil combatê-los, pois as pessoas acreditam nisso como uma verdade. Ora, “nova unção” não existe na Bíblia, o “cair no espírito” não está na Bíblia. O termo até existe, mas não no sentido de cair em massa no culto. O caminho correto nesses casos é fazer o que Jesus mandou, ou seja, discipular. Mas sabemos que discipular dá trabalho. Uma das maiores dificuldades das Assembleias de Deus no Brasil é o discipulado, mas falo do discipulado bíblico. Muitas vezes as pessoas estão até em salas de discipulado, mas não estão aprendendo a “seguir a Cristo”, ou seja, a serem pessoas que perseveram até o fim. O termo no original é muito forte, pois o verbo “seguir” está como em 1 João 2.6, ou seja, é alguém que anda “também” como Jesus andou. Muitas aulas de discipulado não passam até de entretenimento, música e alguma oração, mas nada de ensinamento. É necessário um despertamento na área de discipulado. Além disso, é preciso passar pelo batismo nas águas conhecendo bem a doutrina do batismo para que esse ato não seja mero mergulho. Outro passo importante no discipulado é buscar a plenitude do Espírito, é buscar sempre o conhecimento das Escrituras e, também, é necessário um apego no congregar. O nosso discipulado precisa urgentemente de despertamento.

08) O senhor foi um dos primeiros pastores assembleianos a ter a coragem de diferenciar “doutrina” de “usos e costumes”. Infelizmente, ainda há igrejas assembleianas que ensinam que determinado costume santifica o crente, como se a santificação fosse um processo de fora para dentro. Com equilíbrio que lhe é característico, como o senhor aconselharia um crente que congrega numa igreja legalista?

Eu tenho uma obra não publicada sobre isso. É uma obra sobre doutrina bíblica e costumes humanos. É necessário voltarmos para Tito 2.10, pois ali vemos bem o termo “doutrina” muito bem definido. Porém, doutrina é teoria. A doutrina precisa transparecer em um bom costume. Todavia, é necessário todo cuidado para não transmitir a ideia que o costume seja salvífico. Costume não salva ninguém. A salvação está em Cristo. O costume deve apenas refletir a boa doutrina.

9) Na sua opinião, qual é o maior desafio do pentecostalismo no século XXI?

O maior desafio é centrar-se na Palavra de Deus sem pender para os extremos da direita ou da esquerda. A esquerda é o lado do erro. A direita o é lado do acerto extremado. Devemos evitar ambos. Em Joel 2.28 está escrito: “Derramarei o meu Espírito”. Aqui o artigo é enfático e diferente de Atos, pois lá está escrito “do meu Espírito” (2.17). E o que isso significa? O artigo enfático no hebraico significa algo permanente, em profusão, e é real. Em Atos o “do” não enfático já denota uma profusão parcial. Portanto, o que temos em Atos é apenas em parte. Entendo nisso que haverá no final dos tempos um grande avivamento complementando a promessa de Deus para o profeta Joel. É um avivamento soberano, não produzido pelos homens, mas onde todos serão tomados por essa maravilha de Deus. Eu sou defensor dessa ideia a partir de uma leitura original.  Um avivamento maior virá e, eu até entendo, que influenciará a Igreja Católica positivamente. Será como um rio que toma tudo e destrói o que está na frente como quem varre com violência, mas no sentido positivo. A minha mensagem é positiva.
Fonte:
http://www.teologiapentecostal.com/

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Justino o Mártir – Calvinista ou Arminiano?

Por Flávyo Henrique
É bem comum, em livros escritos com o propósito de defender o calvinismo [1], encontramos uma tentativa de traçar uma linha de homens, autoridades eclesiásticas reconhecidas ou de alguma relevância na história do cristianismo, como tendo sido defensores que chamam de “As Antigas Doutrinas da Graça” [2], que na verdade não são tão antigas assim, não como tradição ou com aceitação da igreja, visto não ter suas origens ligadas à igreja primitiva, nem mesmo em suas formas embrionárias. A exceção das doutrinas agostinianas da graça, nenhum de seus pressupostos (conhecidos como TULIP) existia nos primeiros séculos, exceto a doutrina da corrupção da natureza humana, e mesmos os indícios (similares às doutrinas calvinistas), e toda forma de determinismo que apareceu, foram condenados como anátema pela igreja. Podemos citar como exemplo os resultados dos concílios de Arles (473 d. C) e Orange (529 d. C). Como bem observa o historiador Louis Berkhof e logo abaixo o veredicto do sínodo de Orange:
“E a doutrina da predestinação dupla – predestinação também para o mal – foi abandonada em 529.” [3]
“Ao contrário, não só não acreditamos que pelo divino poder alguns tenham sido predestinados ao mal, mas, se há alguns que querem crer em tamanho mal, com toda reprovação lhe dizemos: anátema.” [4]
Sempre nos intrigou o fato das citações desta suposta linha histórica de homens piedosos defensores do calvinismo vir desacompanhada de fontes verificáveis, se resumindo a meras afirmações e quando muito cita-se um pequeno recorte que contenham as palavras “eleitos” ou “predestinação”, e então os autores acreditam ser possível deduzir que os patrísticos (pais primitivos) estariam, com tais palavras, defendo a predestinação nos moldes de João Calvino. Vejamos, por exemplo, o que diz Charles Spurgeon, que não se preocupou em citar qualquer fonte:
Não estou pregando aqui nenhuma novidade; nenhuma doutrina nova. Gosto imensamente de proclamar essas antigas e vigorosas doutrinas que são conhecidas pelo cognome de calvinismo, e que, por certo, e verdadeiramente, são a verdade de Deus, a qual nos foi revelada em Jesus Cristo. Por meio da verdade da eleição, faço uma peregrinação ao passado, e, enquanto prossigo, contemplo pai após pai da Igreja, confessor após confessor, mártir após mártir levantarem-se e virem apertar a minha mão”. [5]
Se Spurgeon fosse vivo lhe perguntaria: “Qual?” “Quando?” “Onde?”. Certamente, embora tenha sido um brilhante evangelista/pregador, neste ponto creio que esta(ou estava) totalmente equivocado.
Entretanto, o alvo desta análise é “o apologista mais importante do século II por causa de ideias criativas a respeito de Cristo como o Logos cósmico e de o cristianismo ser a filosofia verdadeira”. [6] e para fins de comparação usaremos as afirmações do historiador calvinista, Dr. Steven J. Lawson, que aponta Justino como tendo sido um dos defensores das doutrinas que vieram a ser chamadas de calvinismo (será que foi?) e ainda a versão em português que contém os três livros de Justino que permaneceram até o dia de hoje, que é o livro “Justino de Roma: I e II Apologias e Diálogo com Trifão”, editora Paulus, 1995.

Quem foi Justino, o mártir?

“Justino nasceu em uma família grega na Palestina na primeira metade do século II. Muito pouco se sabe a respeito de sua vida pré-cristã, a não ser que se tornou filósofo da escola platônica e mais tarde deixou-a para seguir o cristianismo, após ter conversado com um misterioso homem idoso. A tradição (registrada em Eusébio) diz que Justino continuou a usar sua toga ou túnica filosófica depois de converter-se ao cristianismo – sem dúvida, o motivo de alguns comentários e controvérsias entre os cristãos de Roma quando Justino chegou ali e começou a ensinar o cristianismo por volta de 150. Fica claro ao ler os escritos de Justino que ele se considerava um filósofo cristão – um filósofo de Cristo – assim como fora um filósofo de Platão”. [7]
“…um dos mais importantes escritores cristãos do segundo século, Justino exerceu um forte influência sobre outros antigos cristãos. Estudiosos o consideram o mais importante dos apologistas, o mais famoso, o principal e o mais eminente. É provável que fosse o melhor cristão erudito da época.” [8]
Diante de tamanho destaque e importância deste apologista para a história da cristandade é natural que as mais diversas correntes teológicas queiram lista-lo entre suas fileiras. Mas será que Justino foi calvinista ou defendeu alguma coisa próxima ao calvinismo?

Doutrina: Depravação total

Para a nossa agradável surpresa o Dr. Lawson reconhece de pronto àquilo que, após as leituras dos livros de Justino, é possível depreender: “De modo geral, os pais apologistas, incluindo Justino, foram unânimes que o homem é dotado de livre-arbítrio.” [9] (grifo nosso)
O único ponto entre aqueles avocados pelos calvinistas que aparece na patrística (não em todos) é a doutrina da Depravação Total ou corrupção da natureza humana, que foi um pilar ortodoxo em toda a história, às vezes este conceito era enfraquecido, mas logo retomado. Ao mesmo tempo é de todo presente a vontade livre ou o livre-arbítrio do homem, como garantia e defesa do caráter justo de Deus e da responsabilidade humana. Vejamos as palavras de Justino:
“…como também não se dignou nascer e ser sacrificado porque necessitasse disso, mas por amor ao gênero humano, que desde Adão havia incorrido na morte e no erro da serpente, cada um cometendo o mal por sua própria culpa. Com efeito, tendo Deus criado homens e anjos dotados de livre-arbítrio e autonomia, quis que cada um fizesse aquilo para o qual foi por ele capacitado, e caso escolhessem o que lhe é agradável, iria mantê-los isentos de morte e castigo. Caso, porém, cometessem o mal, castigaria cada um como lhe aprouvesse.” [10]
“Entre nós, o príncipe dos maus demônios se chama serpente, satanás, diabo ou caluniador, como podeis ver, caso deseje averiguar isso, através de nossas Escrituras. Ele e todo o seu exercito, juntamente com os homens que o seguem, será enviado para ser castigado pela eternidade sem fim, coisa que foi de antemão anunciada por Cristo. Na verdade, a paciência de Deus mostra em não fazê-lo imediatamente, tem como causa seu amor pelo gênero humano, pois ele prevê que alguns se salvarão pela penitência, entre os quais alguns que talvez não tenham ainda nascido. No princípio, ele criou o gênero humano racional, capaz de escolher a verdade e praticar o bem, de modo que não existe homem que tenha desculpa diante de Deus, pois todos foram criados racionais e capazes de contemplar a verdade. Se alguém não crê que Deus se preocupe com estas coisas, ou terá que confessar sofisma que não existe, ou existindo, se compraza com a maldade ou permaneça insensível como uma pedra. Virtude e vício seriam puros nomes e os homens considerariam as coisas boas ou más unicamente por sua opinião, o que é a maior impiedade e iniquidade.” [11] (grifos nossos)
O Dr. Lawson, em Pilares da Graça, mostra textos que claramente não permitem que Justino seja listado entre os defensores do calvinismo, e ainda assim o lista como defensor das doutrinas, o que para nós é muito contraditório, vejamos:
“Nem afirmamos que seja pelo destino que os homens façam o que fazem, ou sofram o que sofrem. Ao contrário, afirmamos que cada um age corretamente ou peca por sua livre escolha.” [12] (grifo nosso) e “Ele[Deus] criou os anjos e os homens livres, para fazerem o que é justo. E ele designou períodos de tempos durante os quais bem sabia seria bom para que eles tivessem o exercício do livre-arbítrio.” [13] e a continuação deste texto “E porque igualmente considerou bom, estabeleceu julgamentos universais e particulares, embora sem atentar conta a liberdade. [14] (grifos nossos)
Só estes comentários supracitados já são suficientes para mostrar que Justino não cria na predestinação nos moldes calvinistas, e ainda era um defensor do livre- arbítrio, mas prosseguiremos.

Doutrina: Eleição incondicional

Para demonstrar que Justino teria defendido a doutrina da Eleição Incondicional, isto é, que Deus escolheu de antemão incondicionalmente aqueles que irão para o céu e os que irão para o inferno, o Lawson cita:
“Senhores, agora vou citar-vos outras palavras dos discursos de Moisés, pelas quais podereis compreender como antigamente Deus dispersou todos os homens, conforme suas descendências e línguas, escolhendo para si o vosso povo, geração inútil, desobediente e incrédula. Em troca, ele mostrou que os escolhidos de todas as nações obedecem ao seu desígnio por meio de Cristo, e por isso, o chama de Jacó e lhe dá o nome de Israel.” [15]
Bem, se alguém dissesse que Justino foi um calvinista e citasse este texto (e apenas este) de forma isolada eu acreditaria, mas a verdade é que este texto faz parte de um conjunto expositivo e que em sua totalidade é oposto ou contrário ao que chamamos de calvinismo. E ainda, já demonstramos que “o Mártir” defendeu claramente o livre-arbítrio e agora mostraremos que também defendia uma eleição condicional baseada na presciência e não o determinismo incondicional de Calvino. Vejamos:
“Concluindo: se dizemos que os acontecimentos futuros forma profetizados, nem por isso afirmamos que aconteçam por necessidade do destino; afirmamos sim que Deus conhece de antemão tudo o que será feito por todos os homens e é decreto seu recompensar cada um segundo o mérito de suas obras.” [16] … “até se completar o número dos que por ele, de antemão conhecidos como bons e virtuosos, em respeito dos quais justamente ainda não foi levado a cabo a conflagração universal.” [17] (grifos nossos)
“A mesma profecia deixa claro que veremos este mesmo como rei glorioso, e suas próprias palavras estão dizendo aos gritos que o povo que foi de antemão conhecido como crente, também foi conhecido como mediante do temor do Senhor.” [18] (grifo nosso)
Em muitos outros textos lemos a expressão “conhecidos de antemão” e em mais nenhum outro, a não ser neste citado pelo Dr. Lawson, algo que possa, pelo menos, sugerir uma incondicionalidade na eleição de Deus. Portanto é muito claro perceber que Justino defendeu uma eleição condicional baseada na presciência de Deus, a semelhança de muitos arminianos, entre eles está o próprio Jacobus Arminius.

Doutrina: Expiação limitada

Para defender a ideia que Deus morreu apenas por alguns e não por todos, que é o centro da doutrina calvinista, isto é, que Cristo morreu somente pelos eleitos, e tentar demonstrar que Justino teria dito algo sobre isto, encontramos, em Pilares da Graça, o seguinte recorte:
“Feito homem de uma virgem, segundo a vontade do Pai, para a salvação dos que nele creem.” [19]. Mas será mesmo que Justino acreditava que Cristo morreu somente, exclusivamente, pelos eleitos? Vejamos:
“Portanto, se foi da vontade do Pai que o seu Cristo carregasse por amor o gênero humano com a maldição de todos, sabendo que ressuscitaria depois de crucificado e morto, porque falei como de um maldito daquele que designou sofrer tudo isso pelo desígnio do Pai?” [20] (grifo nosso)
“Não sei quem possa afirmar isso, mas o fato é que antecipadamente anunciava a salvação que viria para todo gênero humano por meio do sangue de Cristo. [21] (grifo nosso)
“Quando a Escritura fala de Cristo por meio de Davi, não diz as nações serão abençoadas em sua descendência, mas nele. Eis as palavras: Seu nome se levantaria para sempre acima do sol, nele serão abençoadas todas as nações.” [22] “…e que todos podem se transformar em filhos do Altíssimo, e é por culpa sua que, como Adão e Eva, são julgados e condenados.” [23] (grifos nossos)
Existem mais alguns textos em que Justino declara que Cristo veio em favor do gênero humano, o que inclui toda a humanidade. É notório que o apologista não defendia uma expiação somente pelos eleitos, mas sim por todo o gênero humano, por toda a humanidade.

Doutrina: Graça irresistível

Seguem alguns excertos dos livros de Justino citados por calvinistas em defesa de uma suposta graça irresistível, isto é, que age no homem de modo que não pode ser resistida:
“Sabendo isto, por que não parais de enganar a vós mesmos e aos que vos cercam? Por que não aprendeste de nós que temos ensinado pela Graça de Cristo?” [24] e “Portanto, fomos dotados com graça especial de ouvir e entender, de sermos salvos por Cristo e de conhecermos todas as verdades relevantes do Pai.” [25]
Eu, sinceramente, vejo apenas muito voluntarismo [26] em acreditar que estes textos sugerem uma ação da graça irresistivelmente sobre o homem, pois no máximo sugerem a preveniência da graça (que a Graça vem/age primeiro), como asseverava Agostinho de Hipona, mas nunca uma ação incondicional ou irresistível da parte de Deus sobre o homem.
Sobre esta doutrina basta relembrar o fato de que Justino defendia o livre-arbítrio, ou seja, a vontade livre e se o mesmo fosse contemporâneo de Calvino, ele não só não seria a favor das doutrinas da TULIP, mas seria (com certeza) um opositor.
Conforme segue:
“Contudo se a palavra de Deus anuncia absolutamente que alguns homens e anjos serão castigados, isso foi predito porque Ele de antemão conheceu que seriam maus e não se arrependeriam, não, porém, porque o próprio Deus assim o fizesse.” [27] (grifo nosso)
“Do que dissemos anteriormente, ninguém deve tirar a conclusão de que afirmamos que tudo o que acontece, acontece por necessidade do destino, pelo fato de que dizemos que os acontecimentos foram conhecidos de antemão. Por isso, resolveremos também essa dificuldade. Nós aprendemos dos profetas e afirmamos que esta é a verdade: os castigos e tormentos, assim como as boas recompensas, são dadas a cada um conforme as suas obras. Se não fosse assim, mas tudo acontecesse por destino, não haveria absolutamente livre-arbítrio. Com efeito, se já está determinado que um seja bom e outro mau, nem aquele merece elogio, nem este, vitupério. Se o gênero humano não tem poder de fugir, por livre determinação, do que é vergonhoso e escolher o belo, ele não é irresponsável de nenhuma ação que faça.Mas que o homem é virtuoso e peca por livre escolha, podemos demonstrar pelo seguinte argumento: Vemos que o mesmo sujeito passa de um contrário a outro. Ora, se estivesse determinado ser mau ou bom, não seria capaz de coisas contrárias, nem mudaria com tanta freqüência. Na realidade, nem se poderia dizer que uns são bons e outros maus, desde o momento que afirmamos que o destino é a causa de bons e maus, e que realiza coisas contrárias a si mesmo, ou que se deveria tomar como verdade o que já anteriormente insinuamos, isto é, que virtude e maldade são puras palavras, e que só por opinião se tem algo como bom ou mau. Isso, como demonstra a verdadeira razão, é o cúmulo da impiedade e da iniqüidade. Afirmamos ser destino ineludível que aqueles que escolheram o bem terão digna recompensa e os que escolheram o contrário, terão igualmente digno castigo. Com efeito, Deus não fez o homem como as outras criaturas. Por exemplo: árvores ou quadrúpedes, que nada podem fazer por livre determinação. Nesse caso, não seria digno de recompensa e elogio, pois não teria escolhido o bem por si mesmo, mas nascido já bom; nem, por ter sido mau, seria castigado justamente, pois não o seria livremente, mas por não ter podido ser algo diferente do que foi.” [28]
Eu não sei quanto a você, caro leitor, mas para nós esta bem clara a posição soteriológica deste apologista.
Justino, calvinista ou arminiano? (Deixe o seu comentário)
Em defesa da sã doutrina.
A graça e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos, amém.
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[1] O calvinismo é a doutrina que deve seu nome e suas origens ao teólogo e reformador francês João Calvino (1509-1564). Essa corrente é popularmente conhecida por defender as doutrinas da eleição incondicional e predestinação. Obviamente o calvinismo é muito mais profundo e não pode ser explicado em apenas uma nota de rodapé, entretanto, quanto à soteriologia, podemos resumir suas ideias principais através dos cinco pontos seguintes, acróstico TULIP: T (1) Depravação total: devido ao pecado de Adão, a raça humana é completamente incapaz de fazer qualquer coisa que possa produzir salvação; o homem está morto em pecados e, a menos que Deus aja primeiramente no homem, ele não poderá ser salvo. U (2) Eleição incondicional: Deus, na eternidade, através de um decreto soberano, elegeu alguns homens para serem salvos, independentemente da vontade do homem ou de fé prevista. L (3) Expiação limitada: Deus enviou seu Filho, Jesus Cristo, para morrer em um sentido salvífico apenas pelos eleitos. I (4) Graça irresistível: Deus chama eficazmente a todos os eleitos através de sua graça; eles não podem resisti-la. P (5) Perseverança dos santos: os eleitos, após chamados, perseverarão até o fim; não existe qualquer possibilidade de apostasia. (COUTINHO, Samuel Paulo, Sínodo de Dort. Disponível em http://deusamouomundo.com/remonstrantes/432/. Acesso em 04/10/2013.) Vide ainda <http://pt.wikipedia.org/wiki/Calvinismo> Acesso em 02/03/2014.
[2] Assim denominam as chamadas doutrinas da TULIP, uma autodenominação por parte dos defensores das doutrinas calvinistas, definição que é possível ser encontrada em livros como: O Antigo Evangelho, de J. I. Packer, editora Fiel, 2013; Pilares da Graça de Steven J. Lawson, editora Fiel. 2013, e O Calvinismo de Paulo Anglada, editora Knox Publicações, 2009, obras citadas neste artigo, e em outros autores adeptos desta linha soteriológica.
[3] BERKHOF, Louis. História das Doutrinas Cristã, tradução: João Marques Bentes e Gordon Chown. São Paulo: Editora PES. 2014. p. 126.
[4] TITILLO, Thiago Velozo. A Gênese da Predestinação na História da Teologia Cristã. Uma análise do pensamento agostiniano sobre o pecado e a graça.São Paulo: Fonte Editorial. 2014. p. 191.
[5] SPURGEON, Charles H. Eleição. São Paulo: PES, PP. 7-8, apud, ANGLADA, Paulo. Calvinismo: As Antigas Doutrinas da Graça. Ananindeua, PA: Knox Publicações, 2009, p. 15.
[6] ROGER, Olson. História da Teologia Cristã: 2000 anos de tradições e reforma; tradução Gordon Chown. São Paulo: Fonte Editorial, 2001, p. 57.
[7] Ibid, p. 57-58.
[8] LAWSON, Steven J. Pilares da Graça, tradução: Walter Graciano Martins – São José dos Campos, SP. Editora Fiel, 2013. p. 109.
[9] Ibid. p. 116.
[10] JUSTINO. Diálogo com Trifão.88, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, pp. 248-249.
[11] JUSTINO. I Apologia. 28, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 44.
[12] LAWSON, Steven J. Pilares da Graça, tradução: Walter Graciano Martins – São José dos Campos, SP. Editora Fiel, 2013. p. 118.
[13] Ibid. p. 118.
[14] JUSTINO. Diálogo com Trifão.102, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 267.
[15] JUSTINO. Diálogo com Trifão.130, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 267.
[16] JUSTINO. I Apologia. 44, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 60.
[17] JUSTINO. I Apologia. 45, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, pp. 44-45.
[18] JUSTINO. Diálogo com Trifão.70, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 222.
[19] LAWSON, Steven J. Pilares da Graça, tradução: Walter Graciano Martins – São José dos Campos, SP. Editora Fiel, 2013. p. 118. (I Apologia, 63).
[20] JUSTINO. Diálogo com Trifão.130, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 258.
[21] Diálogo com Trifão, 111. Ibid, p. 279.
[22] Diálogo com Trifão, 121. Ibid, p. 294.
[23] Diálogo com Trifão, 124. Ibid, p. 301.
[24] LAWSON, Steven J. Pilares da Graça, tradução: Walter Graciano Martins – São José dos Campos, SP. Editora Fiel, 2013. p. 121. (Diálogo com Trifão, 32).
[25] Ibid. p. 121. (Diálogo com Trifão, 121).
[26] Como o nome sugere, um movimento, uma manifestação voluntária, é um querer ver e acreditar, independente de provas em contrário.
[27] JUSTINO. Diálogo com Trifão.141, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 322.
[28] JUSTINO. I Apologia. 43, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, pp. 57-58.
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Fonte:http://estudos.gospelprime.com.br/justino-martir-calvinista-arminiano/