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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Justino o Mártir – Calvinista ou Arminiano?

Por Flávyo Henrique
É bem comum, em livros escritos com o propósito de defender o calvinismo [1], encontramos uma tentativa de traçar uma linha de homens, autoridades eclesiásticas reconhecidas ou de alguma relevância na história do cristianismo, como tendo sido defensores que chamam de “As Antigas Doutrinas da Graça” [2], que na verdade não são tão antigas assim, não como tradição ou com aceitação da igreja, visto não ter suas origens ligadas à igreja primitiva, nem mesmo em suas formas embrionárias. A exceção das doutrinas agostinianas da graça, nenhum de seus pressupostos (conhecidos como TULIP) existia nos primeiros séculos, exceto a doutrina da corrupção da natureza humana, e mesmos os indícios (similares às doutrinas calvinistas), e toda forma de determinismo que apareceu, foram condenados como anátema pela igreja. Podemos citar como exemplo os resultados dos concílios de Arles (473 d. C) e Orange (529 d. C). Como bem observa o historiador Louis Berkhof e logo abaixo o veredicto do sínodo de Orange:
“E a doutrina da predestinação dupla – predestinação também para o mal – foi abandonada em 529.” [3]
“Ao contrário, não só não acreditamos que pelo divino poder alguns tenham sido predestinados ao mal, mas, se há alguns que querem crer em tamanho mal, com toda reprovação lhe dizemos: anátema.” [4]
Sempre nos intrigou o fato das citações desta suposta linha histórica de homens piedosos defensores do calvinismo vir desacompanhada de fontes verificáveis, se resumindo a meras afirmações e quando muito cita-se um pequeno recorte que contenham as palavras “eleitos” ou “predestinação”, e então os autores acreditam ser possível deduzir que os patrísticos (pais primitivos) estariam, com tais palavras, defendo a predestinação nos moldes de João Calvino. Vejamos, por exemplo, o que diz Charles Spurgeon, que não se preocupou em citar qualquer fonte:
Não estou pregando aqui nenhuma novidade; nenhuma doutrina nova. Gosto imensamente de proclamar essas antigas e vigorosas doutrinas que são conhecidas pelo cognome de calvinismo, e que, por certo, e verdadeiramente, são a verdade de Deus, a qual nos foi revelada em Jesus Cristo. Por meio da verdade da eleição, faço uma peregrinação ao passado, e, enquanto prossigo, contemplo pai após pai da Igreja, confessor após confessor, mártir após mártir levantarem-se e virem apertar a minha mão”. [5]
Se Spurgeon fosse vivo lhe perguntaria: “Qual?” “Quando?” “Onde?”. Certamente, embora tenha sido um brilhante evangelista/pregador, neste ponto creio que esta(ou estava) totalmente equivocado.
Entretanto, o alvo desta análise é “o apologista mais importante do século II por causa de ideias criativas a respeito de Cristo como o Logos cósmico e de o cristianismo ser a filosofia verdadeira”. [6] e para fins de comparação usaremos as afirmações do historiador calvinista, Dr. Steven J. Lawson, que aponta Justino como tendo sido um dos defensores das doutrinas que vieram a ser chamadas de calvinismo (será que foi?) e ainda a versão em português que contém os três livros de Justino que permaneceram até o dia de hoje, que é o livro “Justino de Roma: I e II Apologias e Diálogo com Trifão”, editora Paulus, 1995.

Quem foi Justino, o mártir?

“Justino nasceu em uma família grega na Palestina na primeira metade do século II. Muito pouco se sabe a respeito de sua vida pré-cristã, a não ser que se tornou filósofo da escola platônica e mais tarde deixou-a para seguir o cristianismo, após ter conversado com um misterioso homem idoso. A tradição (registrada em Eusébio) diz que Justino continuou a usar sua toga ou túnica filosófica depois de converter-se ao cristianismo – sem dúvida, o motivo de alguns comentários e controvérsias entre os cristãos de Roma quando Justino chegou ali e começou a ensinar o cristianismo por volta de 150. Fica claro ao ler os escritos de Justino que ele se considerava um filósofo cristão – um filósofo de Cristo – assim como fora um filósofo de Platão”. [7]
“…um dos mais importantes escritores cristãos do segundo século, Justino exerceu um forte influência sobre outros antigos cristãos. Estudiosos o consideram o mais importante dos apologistas, o mais famoso, o principal e o mais eminente. É provável que fosse o melhor cristão erudito da época.” [8]
Diante de tamanho destaque e importância deste apologista para a história da cristandade é natural que as mais diversas correntes teológicas queiram lista-lo entre suas fileiras. Mas será que Justino foi calvinista ou defendeu alguma coisa próxima ao calvinismo?

Doutrina: Depravação total

Para a nossa agradável surpresa o Dr. Lawson reconhece de pronto àquilo que, após as leituras dos livros de Justino, é possível depreender: “De modo geral, os pais apologistas, incluindo Justino, foram unânimes que o homem é dotado de livre-arbítrio.” [9] (grifo nosso)
O único ponto entre aqueles avocados pelos calvinistas que aparece na patrística (não em todos) é a doutrina da Depravação Total ou corrupção da natureza humana, que foi um pilar ortodoxo em toda a história, às vezes este conceito era enfraquecido, mas logo retomado. Ao mesmo tempo é de todo presente a vontade livre ou o livre-arbítrio do homem, como garantia e defesa do caráter justo de Deus e da responsabilidade humana. Vejamos as palavras de Justino:
“…como também não se dignou nascer e ser sacrificado porque necessitasse disso, mas por amor ao gênero humano, que desde Adão havia incorrido na morte e no erro da serpente, cada um cometendo o mal por sua própria culpa. Com efeito, tendo Deus criado homens e anjos dotados de livre-arbítrio e autonomia, quis que cada um fizesse aquilo para o qual foi por ele capacitado, e caso escolhessem o que lhe é agradável, iria mantê-los isentos de morte e castigo. Caso, porém, cometessem o mal, castigaria cada um como lhe aprouvesse.” [10]
“Entre nós, o príncipe dos maus demônios se chama serpente, satanás, diabo ou caluniador, como podeis ver, caso deseje averiguar isso, através de nossas Escrituras. Ele e todo o seu exercito, juntamente com os homens que o seguem, será enviado para ser castigado pela eternidade sem fim, coisa que foi de antemão anunciada por Cristo. Na verdade, a paciência de Deus mostra em não fazê-lo imediatamente, tem como causa seu amor pelo gênero humano, pois ele prevê que alguns se salvarão pela penitência, entre os quais alguns que talvez não tenham ainda nascido. No princípio, ele criou o gênero humano racional, capaz de escolher a verdade e praticar o bem, de modo que não existe homem que tenha desculpa diante de Deus, pois todos foram criados racionais e capazes de contemplar a verdade. Se alguém não crê que Deus se preocupe com estas coisas, ou terá que confessar sofisma que não existe, ou existindo, se compraza com a maldade ou permaneça insensível como uma pedra. Virtude e vício seriam puros nomes e os homens considerariam as coisas boas ou más unicamente por sua opinião, o que é a maior impiedade e iniquidade.” [11] (grifos nossos)
O Dr. Lawson, em Pilares da Graça, mostra textos que claramente não permitem que Justino seja listado entre os defensores do calvinismo, e ainda assim o lista como defensor das doutrinas, o que para nós é muito contraditório, vejamos:
“Nem afirmamos que seja pelo destino que os homens façam o que fazem, ou sofram o que sofrem. Ao contrário, afirmamos que cada um age corretamente ou peca por sua livre escolha.” [12] (grifo nosso) e “Ele[Deus] criou os anjos e os homens livres, para fazerem o que é justo. E ele designou períodos de tempos durante os quais bem sabia seria bom para que eles tivessem o exercício do livre-arbítrio.” [13] e a continuação deste texto “E porque igualmente considerou bom, estabeleceu julgamentos universais e particulares, embora sem atentar conta a liberdade. [14] (grifos nossos)
Só estes comentários supracitados já são suficientes para mostrar que Justino não cria na predestinação nos moldes calvinistas, e ainda era um defensor do livre- arbítrio, mas prosseguiremos.

Doutrina: Eleição incondicional

Para demonstrar que Justino teria defendido a doutrina da Eleição Incondicional, isto é, que Deus escolheu de antemão incondicionalmente aqueles que irão para o céu e os que irão para o inferno, o Lawson cita:
“Senhores, agora vou citar-vos outras palavras dos discursos de Moisés, pelas quais podereis compreender como antigamente Deus dispersou todos os homens, conforme suas descendências e línguas, escolhendo para si o vosso povo, geração inútil, desobediente e incrédula. Em troca, ele mostrou que os escolhidos de todas as nações obedecem ao seu desígnio por meio de Cristo, e por isso, o chama de Jacó e lhe dá o nome de Israel.” [15]
Bem, se alguém dissesse que Justino foi um calvinista e citasse este texto (e apenas este) de forma isolada eu acreditaria, mas a verdade é que este texto faz parte de um conjunto expositivo e que em sua totalidade é oposto ou contrário ao que chamamos de calvinismo. E ainda, já demonstramos que “o Mártir” defendeu claramente o livre-arbítrio e agora mostraremos que também defendia uma eleição condicional baseada na presciência e não o determinismo incondicional de Calvino. Vejamos:
“Concluindo: se dizemos que os acontecimentos futuros forma profetizados, nem por isso afirmamos que aconteçam por necessidade do destino; afirmamos sim que Deus conhece de antemão tudo o que será feito por todos os homens e é decreto seu recompensar cada um segundo o mérito de suas obras.” [16] … “até se completar o número dos que por ele, de antemão conhecidos como bons e virtuosos, em respeito dos quais justamente ainda não foi levado a cabo a conflagração universal.” [17] (grifos nossos)
“A mesma profecia deixa claro que veremos este mesmo como rei glorioso, e suas próprias palavras estão dizendo aos gritos que o povo que foi de antemão conhecido como crente, também foi conhecido como mediante do temor do Senhor.” [18] (grifo nosso)
Em muitos outros textos lemos a expressão “conhecidos de antemão” e em mais nenhum outro, a não ser neste citado pelo Dr. Lawson, algo que possa, pelo menos, sugerir uma incondicionalidade na eleição de Deus. Portanto é muito claro perceber que Justino defendeu uma eleição condicional baseada na presciência de Deus, a semelhança de muitos arminianos, entre eles está o próprio Jacobus Arminius.

Doutrina: Expiação limitada

Para defender a ideia que Deus morreu apenas por alguns e não por todos, que é o centro da doutrina calvinista, isto é, que Cristo morreu somente pelos eleitos, e tentar demonstrar que Justino teria dito algo sobre isto, encontramos, em Pilares da Graça, o seguinte recorte:
“Feito homem de uma virgem, segundo a vontade do Pai, para a salvação dos que nele creem.” [19]. Mas será mesmo que Justino acreditava que Cristo morreu somente, exclusivamente, pelos eleitos? Vejamos:
“Portanto, se foi da vontade do Pai que o seu Cristo carregasse por amor o gênero humano com a maldição de todos, sabendo que ressuscitaria depois de crucificado e morto, porque falei como de um maldito daquele que designou sofrer tudo isso pelo desígnio do Pai?” [20] (grifo nosso)
“Não sei quem possa afirmar isso, mas o fato é que antecipadamente anunciava a salvação que viria para todo gênero humano por meio do sangue de Cristo. [21] (grifo nosso)
“Quando a Escritura fala de Cristo por meio de Davi, não diz as nações serão abençoadas em sua descendência, mas nele. Eis as palavras: Seu nome se levantaria para sempre acima do sol, nele serão abençoadas todas as nações.” [22] “…e que todos podem se transformar em filhos do Altíssimo, e é por culpa sua que, como Adão e Eva, são julgados e condenados.” [23] (grifos nossos)
Existem mais alguns textos em que Justino declara que Cristo veio em favor do gênero humano, o que inclui toda a humanidade. É notório que o apologista não defendia uma expiação somente pelos eleitos, mas sim por todo o gênero humano, por toda a humanidade.

Doutrina: Graça irresistível

Seguem alguns excertos dos livros de Justino citados por calvinistas em defesa de uma suposta graça irresistível, isto é, que age no homem de modo que não pode ser resistida:
“Sabendo isto, por que não parais de enganar a vós mesmos e aos que vos cercam? Por que não aprendeste de nós que temos ensinado pela Graça de Cristo?” [24] e “Portanto, fomos dotados com graça especial de ouvir e entender, de sermos salvos por Cristo e de conhecermos todas as verdades relevantes do Pai.” [25]
Eu, sinceramente, vejo apenas muito voluntarismo [26] em acreditar que estes textos sugerem uma ação da graça irresistivelmente sobre o homem, pois no máximo sugerem a preveniência da graça (que a Graça vem/age primeiro), como asseverava Agostinho de Hipona, mas nunca uma ação incondicional ou irresistível da parte de Deus sobre o homem.
Sobre esta doutrina basta relembrar o fato de que Justino defendia o livre-arbítrio, ou seja, a vontade livre e se o mesmo fosse contemporâneo de Calvino, ele não só não seria a favor das doutrinas da TULIP, mas seria (com certeza) um opositor.
Conforme segue:
“Contudo se a palavra de Deus anuncia absolutamente que alguns homens e anjos serão castigados, isso foi predito porque Ele de antemão conheceu que seriam maus e não se arrependeriam, não, porém, porque o próprio Deus assim o fizesse.” [27] (grifo nosso)
“Do que dissemos anteriormente, ninguém deve tirar a conclusão de que afirmamos que tudo o que acontece, acontece por necessidade do destino, pelo fato de que dizemos que os acontecimentos foram conhecidos de antemão. Por isso, resolveremos também essa dificuldade. Nós aprendemos dos profetas e afirmamos que esta é a verdade: os castigos e tormentos, assim como as boas recompensas, são dadas a cada um conforme as suas obras. Se não fosse assim, mas tudo acontecesse por destino, não haveria absolutamente livre-arbítrio. Com efeito, se já está determinado que um seja bom e outro mau, nem aquele merece elogio, nem este, vitupério. Se o gênero humano não tem poder de fugir, por livre determinação, do que é vergonhoso e escolher o belo, ele não é irresponsável de nenhuma ação que faça.Mas que o homem é virtuoso e peca por livre escolha, podemos demonstrar pelo seguinte argumento: Vemos que o mesmo sujeito passa de um contrário a outro. Ora, se estivesse determinado ser mau ou bom, não seria capaz de coisas contrárias, nem mudaria com tanta freqüência. Na realidade, nem se poderia dizer que uns são bons e outros maus, desde o momento que afirmamos que o destino é a causa de bons e maus, e que realiza coisas contrárias a si mesmo, ou que se deveria tomar como verdade o que já anteriormente insinuamos, isto é, que virtude e maldade são puras palavras, e que só por opinião se tem algo como bom ou mau. Isso, como demonstra a verdadeira razão, é o cúmulo da impiedade e da iniqüidade. Afirmamos ser destino ineludível que aqueles que escolheram o bem terão digna recompensa e os que escolheram o contrário, terão igualmente digno castigo. Com efeito, Deus não fez o homem como as outras criaturas. Por exemplo: árvores ou quadrúpedes, que nada podem fazer por livre determinação. Nesse caso, não seria digno de recompensa e elogio, pois não teria escolhido o bem por si mesmo, mas nascido já bom; nem, por ter sido mau, seria castigado justamente, pois não o seria livremente, mas por não ter podido ser algo diferente do que foi.” [28]
Eu não sei quanto a você, caro leitor, mas para nós esta bem clara a posição soteriológica deste apologista.
Justino, calvinista ou arminiano? (Deixe o seu comentário)
Em defesa da sã doutrina.
A graça e a paz de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos, amém.
_________________________________________
[1] O calvinismo é a doutrina que deve seu nome e suas origens ao teólogo e reformador francês João Calvino (1509-1564). Essa corrente é popularmente conhecida por defender as doutrinas da eleição incondicional e predestinação. Obviamente o calvinismo é muito mais profundo e não pode ser explicado em apenas uma nota de rodapé, entretanto, quanto à soteriologia, podemos resumir suas ideias principais através dos cinco pontos seguintes, acróstico TULIP: T (1) Depravação total: devido ao pecado de Adão, a raça humana é completamente incapaz de fazer qualquer coisa que possa produzir salvação; o homem está morto em pecados e, a menos que Deus aja primeiramente no homem, ele não poderá ser salvo. U (2) Eleição incondicional: Deus, na eternidade, através de um decreto soberano, elegeu alguns homens para serem salvos, independentemente da vontade do homem ou de fé prevista. L (3) Expiação limitada: Deus enviou seu Filho, Jesus Cristo, para morrer em um sentido salvífico apenas pelos eleitos. I (4) Graça irresistível: Deus chama eficazmente a todos os eleitos através de sua graça; eles não podem resisti-la. P (5) Perseverança dos santos: os eleitos, após chamados, perseverarão até o fim; não existe qualquer possibilidade de apostasia. (COUTINHO, Samuel Paulo, Sínodo de Dort. Disponível em http://deusamouomundo.com/remonstrantes/432/. Acesso em 04/10/2013.) Vide ainda <http://pt.wikipedia.org/wiki/Calvinismo> Acesso em 02/03/2014.
[2] Assim denominam as chamadas doutrinas da TULIP, uma autodenominação por parte dos defensores das doutrinas calvinistas, definição que é possível ser encontrada em livros como: O Antigo Evangelho, de J. I. Packer, editora Fiel, 2013; Pilares da Graça de Steven J. Lawson, editora Fiel. 2013, e O Calvinismo de Paulo Anglada, editora Knox Publicações, 2009, obras citadas neste artigo, e em outros autores adeptos desta linha soteriológica.
[3] BERKHOF, Louis. História das Doutrinas Cristã, tradução: João Marques Bentes e Gordon Chown. São Paulo: Editora PES. 2014. p. 126.
[4] TITILLO, Thiago Velozo. A Gênese da Predestinação na História da Teologia Cristã. Uma análise do pensamento agostiniano sobre o pecado e a graça.São Paulo: Fonte Editorial. 2014. p. 191.
[5] SPURGEON, Charles H. Eleição. São Paulo: PES, PP. 7-8, apud, ANGLADA, Paulo. Calvinismo: As Antigas Doutrinas da Graça. Ananindeua, PA: Knox Publicações, 2009, p. 15.
[6] ROGER, Olson. História da Teologia Cristã: 2000 anos de tradições e reforma; tradução Gordon Chown. São Paulo: Fonte Editorial, 2001, p. 57.
[7] Ibid, p. 57-58.
[8] LAWSON, Steven J. Pilares da Graça, tradução: Walter Graciano Martins – São José dos Campos, SP. Editora Fiel, 2013. p. 109.
[9] Ibid. p. 116.
[10] JUSTINO. Diálogo com Trifão.88, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, pp. 248-249.
[11] JUSTINO. I Apologia. 28, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 44.
[12] LAWSON, Steven J. Pilares da Graça, tradução: Walter Graciano Martins – São José dos Campos, SP. Editora Fiel, 2013. p. 118.
[13] Ibid. p. 118.
[14] JUSTINO. Diálogo com Trifão.102, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 267.
[15] JUSTINO. Diálogo com Trifão.130, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 267.
[16] JUSTINO. I Apologia. 44, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 60.
[17] JUSTINO. I Apologia. 45, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, pp. 44-45.
[18] JUSTINO. Diálogo com Trifão.70, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 222.
[19] LAWSON, Steven J. Pilares da Graça, tradução: Walter Graciano Martins – São José dos Campos, SP. Editora Fiel, 2013. p. 118. (I Apologia, 63).
[20] JUSTINO. Diálogo com Trifão.130, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 258.
[21] Diálogo com Trifão, 111. Ibid, p. 279.
[22] Diálogo com Trifão, 121. Ibid, p. 294.
[23] Diálogo com Trifão, 124. Ibid, p. 301.
[24] LAWSON, Steven J. Pilares da Graça, tradução: Walter Graciano Martins – São José dos Campos, SP. Editora Fiel, 2013. p. 121. (Diálogo com Trifão, 32).
[25] Ibid. p. 121. (Diálogo com Trifão, 121).
[26] Como o nome sugere, um movimento, uma manifestação voluntária, é um querer ver e acreditar, independente de provas em contrário.
[27] JUSTINO. Diálogo com Trifão.141, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, p. 322.
[28] JUSTINO. I Apologia. 43, apud. JUSTINO DE ROMA: I e II Apologias: Diálogo com Trifão. São Paulo: PAULUS. 1995, pp. 57-58.
* As opiniões expressas nos textos publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores
e não refletem, necessariamente, a opinião do Gospel Prime.
Fonte:http://estudos.gospelprime.com.br/justino-martir-calvinista-arminiano/

Dicas que podem ajudar na hora da entrevista de emprego


Hoje começa um novo ano e que ele venha cheio de amor, paz, saúde e muitas realizações para todos nós, mas, como o cenário econômico de nosso país  não anda dos melhores, é realidade que muitas pessoas iniciarão o ano em uma verdadeira maratona em busca de um emprego, afinal de contas como conseguir nossas realizações sem um emprego?
Pensando nisso, resolvi então postar este pequeno artigo com algumas dicas sobre como agir antes e durante a temível entrevista de emprego, espero que possa ajudá-lo (a). 
Antes da Entrevista:
• Procure obter informações sobre á empresa (tipo de produtos, origem ...).
Mas não fique fazendo perguntas sobre a empresa para a secretária.Muitas das vezes , ela esta ali para informar ao chefe cada passo seu.
• Verifique o endereço da empresa e como chegar lá (tipo de condução, horário de ônibus, etc);
• Esteja no local com 10 minutos de antecedência .Chegar muito cedo pode demonstrar ansiedade;
• Evite chegar de carro ao local pedindo para estacioná-lo na garagem;
• Seja educado com todas as pessoas ,do porteiro ao consultor.Pois você estará sendo avaliado desde o momento em que pisar na empresa;
• Cuide da aparência física, especialmente barba, cabelo e unhas;
• Faça uma revisão das suas principais atividades profissionais;
• Leve consigo a pasta de documentos;
• Em caso de atraso ou impossibilidade de comparecer, sempre telefone avisando.Imprevistos podem ocorrer com qualquer um e “ geralmente “ são compreendido pelos consultores.
Trajes
• Não compareça de shortes,camiseta regata, saia curta , roupas coloridas e transparentes,chinelo,batom muito forte, ou muito perfume.
• Não há necessidade de comparecer com roupas sociais e gravatas, exceto para cargos de executivos, gerente , etc;
• Não dê uma de galã ou de sedutora, deixando a roupa ou a camisa desabotoada.
Durante a entrevista
• Ao entrar na sala, espere que o consultor lhe diga para sentar;
• Sente-se de maneira confortável, mas não se esparrame;
• Se o entrevistador lhe oferecer café ou algo para beber, pergunte se ira acompanhar,caso não o acompanhe ,evite aceitar;
• Não coloque seus pertences ou os braços sobre á mesa.Se não houver outra cadeira,coloque seus pertences sobre as pernas ou no chão;
• Jamais mexa na mesa do consultor, e evite ficar olhando muito para os objetos que estão ali;
• Esteja preparado para responder perguntas como:
- Por que deixou o ultimo emprego?
- Você gostava do seu último emprego?
- Por que deseja trabalhar em nossa empresa?
- Por que mudou tanto de emprego?
- Quais eram suas responsabilidades?
- No seu ponto de vista, quais são os seus aspectos positivos e negativos?
- Não desvalorize a empresa ou o chefe anterior ;
- Responda ás perguntas de maneira clara e objetiva. Mas não dê respostas curtas ou longas demais, podendo encerrar logo a conversa ;
- Não tome para si o controle da entrevista ;
- Se não souber responder á alguma pergunta , diga que não sabe, é melhor do que inventar ;
- Seja sincero, natural e discreto.
- Demonstre segurança e otimismo sem ser arrogante;
- Trate o entrevistador da maneira mais correta (senhor ,senhora ) ;
- Olhe para o entrevistador e ouça-o com atenção ;
Evite
- Mascar chicletes ;
- Chupar bala ;
- Fumar :
- Atender o celular ou mexer em aparelhos eletrônicos
- Consultar o relógio ;
- Usar gírias ;
- Interromper o entrevistador ;
- Gesticular muito ;
- Ficar mudando de posição na cadeira ;
- Falar e rir alto ;
- Cruzar os braços , pode significar que o assunto esta pesado demais;
- Ficar passando a mão no cabelo ;
- Jamais revele tiques de nervoso, como : roer unhas, piscar muito ou mascar um chiclete invisível ;
- Evite tossir ou espirrar demais. Se estiver doente , tente desmarcar a entrevista.
Que esse anos seja o ano das realizações em nossas vidas.

Fonte:
www.facebook.com/Guiodayy?fref=ts
www.google.com.br/search?newwindow
https://www.youtube.com/watch?v=TgBIuGH_ODg

domingo, 30 de novembro de 2014

Posso orar ao Espírito Santo?


Por Gutierres Fernandes Siqueira

Quem se inebria do Espírito está radicado em Cristo. (Ambrósio) [1]

Espírito Santo, ore por mim/ Leve pra Deus tudo aquilo que eu preciso/ Espírito Santo, use as palavras/ Que eu necessito usar, mas não consigo/ Me ajude nas minhas fraquezas/ Não sei como devo pedir/ Espírito Santo, vem interceder por mim/ Todas as coisas cooperam pra o bem/ Daqueles que amam a Ti/ Espírito Santo, vem orar por mim/ Estou clamando, estou pedindo/ Só Deus sabe a dor que estou sentindo/ Meu coração está ferido/ Mas o meu clamor está subindo. (Canção “Espírito Santo”)

Um leitor deste blog fez a pergunta titular deste texto. É uma questão interessante. Ela reflete uma consequência secular na teologia cristã ocidental que transformou o Espírito Santo num "deus desconhecido" e "sem um altar" ateniense ou romano para lembrá-lo e exaltá-lo. Somente em meados do século XX o Espírito Santo voltou para o debate teológico sob o incêndio do pentecostalismo. Antes disso as teologias sistemáticas ignoram a pneumatologia. E, infelizmente, a ignorância sobre o papel do Espírito Santo traz consequências para a Igreja até os nossos dias.

É bem verdade que nenhuma oração é dirigida ao Espírito Santo no Novo Testamento [2]. Agora, como poderíamos ser privados de orar a uma pessoa divina? Mas observe bem: quase, também, nenhuma oração é dirigida ao Filho [2 Coríntios 12.8-10, como exceção]. O padrão da oração é quase sempre a pessoa de Deus Pai. Todavia, a Trindade é a pluralidade de pessoas na unidade de um só Deus. Portanto, falar com o Pai, o Filho ou o Espírito Santo especificamente não é nenhum sacrilégio senão grande privilégio do cristão orante. Na comunhão da Trindade é possível falar com três pessoas. O escritor C. S. Lewis falou sobre essa comunhão única na oração com a Trindade: “Estou de pleno acordo em que a relação entre Deus e o homem é de índole mais particular e íntima do que qualquer outra relação possível entre duas criaturas da mesma espécie” [3].
Outro ponto importante: o louvor é uma espécie de oração. E na tradição cristã sempre se louvou ao Espírito Santo. Wayne Grudem lembra:

Muitos hinos em uso há séculos dão louvor ao Espírito Santo, tais como o Gloria Patri (“Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito, como era no princípio, agora e para sempre, por todos os séculos. Amém!”) ou como a doxologia (“A Deus, supremo benfeitor, anjos e homens dêem louvor; a Deus, o Filho, a Deus, Espírito, glória dai. Amém”). Essa prática é baseada na convicção de que Deus é digno de adoração, e como o Espírito é plenamente Deus, Ele é digno de adoração. Tais palavras de louvor são uma espécie de oração ao Espírito Santo, e, se elas são apropriadas, parece não haver razão para pensar que outras espécies de oração ao Espírito Santo não sejam apropriadas [4].


Portanto, ao louvar o Espírito Santo se faz uma oração em reconhecimento por Sua divindade e Soberania, como não poderia ser diferente. O Espírito é Deus.

Espírito Santo, o nosso companheiro de oração

Agora, mais importante é entender que o Espírito Santo é o nosso companheiro de oração. Sim, como Deus Ele ouve a nossa oração na posição de Divino, mas também nos auxilia a falar bem com o Pai. A oração não é uma dádiva humana perante um deus insaciável de oferendas. Deus não é um ídolo e, portanto, de nada necessita. A oração é fluxo de comunhão entre o homem e a Trindade onde o Espírito Santo nos interpreta e interpreta o Pai para nós. A oração é, também, graça advinda do Espírito Santo. É Ele que nos ajuda a orar bem. “Ninguém pode dizer: ‘Jesus é Senhor’, a não ser pelo Espírito Santo” escreve o apóstolo Paulo [1 Coríntios 12.3] e continua:

Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus [Romanos 8. 26-27].

O ato de orar é um trabalho divino em nós. É um dom de Deus através da Pessoa do Espírito Santo. Como Karl Barth escreveu:

“Quando acontece de o homem obter liberdade tornando-se um ouvinte, responsável, agradecido, uma pessoa esperançosa, não é por causa de um ato do espírito humano,  mas somente por causa do ato do Espírito Santo. Portanto isto é, em outras palavras, um Dom de Deus. Isto tem que ver com um novo nascimento, com o Espírito Santo” [5].

Assim, encerro este texto com uma oração e um louvor ao nosso Deus na Pessoa do Espírito Santo: “Oh, Espírito Santo de Deus, ajuda-me! A minha vida de oração é cada vez mais fraca e diluída nas preocupações do presente século. Espírito Santo, me conduz a Ti. Conduza-me ao Senhor subjugando a minha carne e a minha própria vontade. A ti, Deus Soberano, limpa o meu ser do pecado maculador. Espírito Santo, me conduz nas águas refrigeradoras da comunhão com a Santíssima Trindade. Em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!”


Referências Bibliográficas:

[1] Aurélio Ambrósio (340-397), Pai da Igreja e bispo de Mediolano. Frase citada em: RATZINGER, Joseph. Escola de Oração: A Vida Interior e a Elevação da Alma. 1 ed. Campinas: Editora Ecclesiae, 2014. p 236.
[2] “É apropriado orar ao Espírito? Não existe em nenhuma parte das Escrituras um exemplo deste costume; visto, porém, que o Espírito é Deus, não pode ser errado invocá-o e nos dirigirmos a ele, se há uma boa razão para fazê-lo [...] e a oração ao Espírito será igualmente apropriada quando o que buscamos dele é uma comunhão mais íntima com Jesus...”. PACKER, James I. Na Dinâmica do Espírito. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1991. p 254-255.
[3] LEWIS, C. S. Oração: Cartas a Malcolm. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2009. p 17.
[4] GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1999. p 179-180. Na edição atualizada (2 ed/2010) essa nota não consta e o texto subsequente está entre as páginas 309 e 310.
[5] BARTH, Karl. Esboço de uma Dogmática. 1 ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2006. p 202.
Fonte : http://www.teologiapentecostal.com/2014/11/posso-orar-ao-espirito-santo.html

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Igreja com "jeitinho de boate"

Igreja Lagoinha Niterói, dos pastores Felippe e Mariana Valadão, atrai jovens com “jeito de boate” A filial de Niterói (RJ) da Igreja Batista da Lagoinha (IBL) tem registrado crescimento chamativo desde que foi inaugurada em julho de 2013. Dirigida pelo casal de pastores Felippe e Mariana Valadão, atualmente a denominação ocupa o espaço que antigamente abrigou boates, e registra frequência de 3 a 4 mil pessoas por semana.
O espaço que antes abrigou as boates Barthô, nos anos 1990, e Nec Multispace, mais recentemente, há três meses recebe os fiéis em cultos que foram descritos pela reportagem do jornal O Dia como “espetáculo da fé com jeito de boate e linguagem descontraída”.
Felippe, 31 anos, fluminense, diz que a proposta da Lagoinha Niterói é exatamente essa: “Eu acredito em todas as igrejas e que Deus as tem usado de várias formas. São necessárias as tradicionais, assim como se precisa da nossa”.
Ao lado da esposa, Mariana Valadão, começou a realizar os cultos em sua casa, e logo foi necessária a formalização da igreja, com a locação de um espaço. “Começamos com uma reunião dentro da minha casa, em Camboinhas, na minha sala; éramos 90 pessoas; na segunda reunião vieram 120, na terceira 220”, conta o pastor.
Em julho de 2013 a Lagoinha Niterói abriu um local para cultos, mas já com visual diferente: “Quebrei tudo, pintei de preto… eu já queria fazer algo diferente; Sou muito influenciado por igrejas americanas e nos Estados Unidos elas são assim para tirar aquela aparência de templo. A gente não tem uma estética religiosa. Nossa vontade não é que as pessoas venham e falem ‘Uau, estou em uma igreja!’ Eu quero que elas pensem que não é uma igreja, para que quando se inicie o culto elas não sintam a igreja, mas a presença de Jesus”, afirma.
Um ano depois, a igreja se mudou para o espaço atual, que abriga duas mil pessoas sentadas e o estacionamento tem vaga para 300 carros. O visual diferente também foi aplicado, e o púlpito também faz as vezes de palco, com luzes, músicos e cantores, além de 3 telões que apresentam as letras das músicas cantadas e também mostram a imagem de quem ministra a mensagem.
“Eu acredito que o que impulsiona o crescimento de uma igreja é a juventude”, diz o pastor, que estabeleceu os sábados como dia de cultos para jovens. Uma das amostras de crescimento da igreja pôde ser vista no último domingo (02), quando mais de 100 pessoas foram batizadas.
Fonte:http://www.noticiascristas.com/2014/11/com-jeito-de-boate-igreja-lagoinha-de.html

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Stanley M. Horton (1916-2014): um gigante da erudição pentecostal

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Nesse sábado, 12 de julho, o teólogo pentecostal Stanley Monroe Horton morreu aos 98 anos na cidade de Springfield, Missouri (EUA), que é a sede das Assembleias de Deus nos Estados Unidos. Há algum tempo o Rev. Horton vinha com a saúde frágil e era cuidado pela filha.

Stanley M. Horton nasceu em 6 de maio de 1916 em Huntington Park, Califórnia (EUA). Era filho de Harry e Myre Horton, respectivamente evangelista e filha de pastor. Os avós maternos Elmer Kirk Fisher e Clara Daisy Sanford participaram diretamente do histórico Avivamento da Rua Azuza em 1906. George O. Wood, superintendente geral do Concílio das Assembleias de Deus dos Estados Unidos, resumiu Horton como uma “ponte que ligava o avivamento de Azuza até os dias atuais”.

Rev. Horton recebeu sua formação educacional em grandes centros universitários americanos como Berkeley e Harvard. Na ordem: Los Angeles City College (A.A., 1935); Universidade da Califórnia-Berkeley (B.S., 1937); Gordon-Conwell Theological Seminary (M.div, 1944); Universidade de Harvard (S.T.M., 1945); e Central Baptist Theological Seminary (th.d.,1959). E ainda fez estudos complementares no New York Theological Seminary. Era professor emérito de teologia no Assemblies of God Theological onde começou a ensinar em 1978 [1]. Embora o pentecostalismo tenha contado com eruditos como os ingleses Myer Pearlman e Donald Gee, Horton foi um dos primeiros com vasto currículo acadêmico. Infelizmente, especialmente no pentecostalismo brasileiro, a carreira acadêmica entre pentecostais é ainda rara. Felizmente, nos Estados Unidos a realidade já é bem diferente, pois alguns pentecostais são respeitados fora do círculo carismático como os exegetas Gordon D. Fee e Craig S. Keener, sendo o primeiro um pastor ordenado pelas Assembleias de Deus.

Rev. Horton relatou que nem sempre a trajetória intelectual foi fácil. Quando estudava ciências ficou profundamente em dúvidas sobre Deus e as Escrituras. Então orou: “Senhor, eu sou um salvo, mas não sei o que fazer quanto a essas dúvidas” [2]. Deus o fez lembrar da cura de seu avô quando ele tinha apenas cinco anos. Trazer a memória o poder de Deus o fez voltar à fé fortalecida. Além disso, como todo pentecostal que se esforça pelo ensino, Horton enfrentou oposição dentro da Igreja por causa do remanesceste anti-intelectual, especialmente quando era um jovem estudante no Gordon-Conwell Theological Seminary.

Ele foi comentarista durante 25 anos da equivalente às Lições Bíblicas para a Escola Dominical nas Assembleias de Deus norte-americana. Foi autor, colaborador e editor de inúmeras obras como: Systematic Theology a Pentecostal Perspective, 1994  [Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, 1995, CPAD];  What the Bible Says About the Holy Spirit, 1976 [O Que a Bíblia Diz Sobre o Espírito Santo, 1993, CPAD] e reeditada como A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento; Bible Doctrines: A Pentecostal Perspective (com William Menzies), 1993 [Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva Pentecostal, 1995, CPAD] ; They Spoke from God: A Survey of the Old Testament (com Willian Williams); Isaiah: A Logion Press Commentary [Isaías: O Profeta Messiânico, 2002, CPAD]; The Book of Acts : The Wind of the Spirit [O Livro de Atos, 1993,  Editora Vida];  Tongues and Prophecy: How to Know; When a Gift of Utterance is in Order;  Perspectives On Spirit Baptism: Five Views (com Ralph Del Colle, Walter Kaiser,  H. Ray Dunning e Larry Hart); A Commentary on I and II Corinthians [I & II Coríntios, 2003, CPAD]; The Ultimate Victory: An Exposition of the Book of Revelation [Comentário Bíblico- Apocalipse, CPAD]; Into All Truth: A Survey of the Course and Content of Divine Revelation; Five Views on Sanctification (Counterpoints: Bible and Theology) com Melvin E. Dieter, Anthony A. Hoekema, e J. Robertson McQuilkin [Cinco Perspectivas Sobre a Santificação, 2006, Editora Vida]; The Shifting Romance with Israel (com Ray Gannon) e a coletânea de artigos reunidos em um livro O Avivamento Pentecostal, 1997, CPAD. Ou seja, ainda há algumas obras para serem traduzidas e reeditas pelas editoras brasileiras.

Rev. Horton visitou o Brasil em 1995 à convite da CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) [3]. Pregou em inúmeras igrejas e manifestou grata surpresa pela lotação da Igreja em Recife em um dia útil de segunda-feira [4].

Stanley M. Horton deixará um legado de erudição e paixão pentecostal. Foi o exemplo vivo que não existe nenhuma oposição entre ser apaixonado pela ação do Espírito Santo na vida da Igreja com a erudição profunda e pesada dos grandes centros universitários. Ele mesmo que prefaciou a edição inglesa do livro de Rick M. Nañez era um “pentecostal de coração e mente”. Horton relatou:

Descobri que o estudo aprofundado da Bíblia, das línguas bíblicas, da arqueologia, psicologia, filosofia, de outras religiões e da história da igreja aperfeiçoaram minha apreciação pela verdade da Palavra Santa de Deus, além de me ajudar a perceber minha dependência do Espírito Santo como guia. Tudo que escrevi é fruto do estudo da Palavra de Deus e de oração. [5]

Que seja um exemplo para nós!


Referências Bibliográficas:

[1] BURGESS, Stanley M. [ed]. The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements. 1 ed. Grand Rapids: Zondervan, 2002. p 772 (pos 32083).

[2] HORTON, Stanley M. O Avivamento Pentecostal. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. p 26.

[3] ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 354.

[4] HORTON, Stanley M. O Avivamento Pentecostal. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. p 35.

[5] NAÑEZ, Rick M. Pentecostal de Coração e Mente. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2007. p 11.
Fonte:
http://www.teologiapentecostal.com/2014/07/stanley-m-horton-1916-2014-um-gigante.html